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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Leia o texto com atenção.



 ...Feira da Segunda - Feira

Depois de um mês de férias, acordando de 11 pra lá, levantei mais cedo... Um só destino... Ir a feira e conferir se aquilo que a gente escuta que é tradição Nordestina também existe em Umarizal. A feira é um lugar onde todos os ramos de costumes do Nordeste se encontram, o véio bruto, o menino aperreando a mãe pela sandália que viu na vitrine da loja, os pasteis assados na calçada escorrendo óleo, o trio tocando forró “em troca de um trocado”, o cheiro bom da barraca de ervas, o mau cheiro da barraca de sandália de sola, o engraxate com 72 anos acocado na calçada, o vendedor de portas dizendo que elas não “incham”, o de mesa batendo nelas e fazendo a zuada necessária para lucrar o dinheiro da gasolina, o quadriculado dos shorts masculinos que não combinam com nenhuma camisa a venda, o velho alto falante da Igreja reproduzindo som em meio as falhas convidando pra missa das 7 horas. O povo puto da vida por ter que voltar da rua fechada pela feira, os biombos de dois bambolês e uns retalhos de pano, o vendedor de cd’s gritando é “cinquipurdérreal”, vendendo jogo pra PRESTECHO 2 que garante ser compatível com o 3, o 4 e o resto, além dos pornô’s escondidos na pochete. Na nossa feira você encontra de tudo, salgado, caldo de cana, bolo, doce, o café que dá pra ver o bordado da toalha da mesa por dentro da xícara, de tão fraco. A senhora partindo o bolo de macaxeira e lhe entregando na mão. Lenço? Pra quê lenço? Lenço é pá baitola. As sacolas do povo do sítio lotadas com a feira da semana, até porquê, só tem na próxima segunda. Tem também o Chevette 73 com a mala abarrotada de tapetes das mais variadas estampas. A D-10 com os acessórios para cavalos e o sorriso no rosto de veterinário vendo a loja lotada de produtor rural. Os locais de xérox cheio de gente tirando cópia de RG, CPF, Cartão SUS e carteira de vacinação, os taxistas num carro lavado na última vez em 2005 passando uma flanelinha do retrovisor pro porta-luvas. As testemunhas de Jeová tudo morrendo de calor dentro de calças e camisas sociais ou vestidos longos, o frigorífico a céu aberto e as moscas tomando de conta. Os velhos nos bares jogando pife junto de um oito de cana e um tira-gosto comunitário, a mulher vem olhar o estado do marido, cheia de sacolas, vê o jogo, da uma gargalhada e vai embora. As motos fabricadas da década de 70 pra cá ainda “na ativa” fazendo zuada com velhos pilotando e sem querer soltar a embreagem, sobe aquela nuvem de fumaça preta, a mulher se “atrepa”, senta de lado, ele solta a embreagem rápido e olha pelo retrovisor se a mulher ainda está na garupa. Os meninos olhando pras arminhas de plástico e choromingando: “Me dê uuuuma maiiiinha, cê num me dá naada”. A mãe pega pelo braço e vai deixar pro pai, que vem olhar o motivo do choro, tira dois reais do bolso e devolve o sorriso ao rosto do filho. As padarias lotadas, assim como as sacolas de pão que saem delas. Os sequilhos pra o café da manhã e os pães para a sopa da janta não podem faltar. As caminhonetas com “risídio” bem amarradas partindo as nove da manhã pra deixar a carga e voltar pra pegar o povo. O supermercado lotado, a “suvaqueira” tomando de conta. O Leite do Rosas? A essas horas já virou um iogurte descendo do “suvaco” pra o “cóis” da calça amarrada por um cordão. Admirador de Lampião não falta, fã de Luiz Gonzaga bota fim nos números. O véi pega a véia, agarra e dança ao som de “Luis respeita Januário”. Coronel não existe, cangaceiro também não, do rico ao pobre, do litorâneo ao interiorano, todos tornam-se em algumas horas da Segunda Feira Umarizalense, APENAS, Nordestinos com orgulho e mantém viva no centro de nossa Umarizal a velha tradição da feira das segundas. Me disseram que eu era atento “por demais” só porque ví tudo isso enquanto ía no supermercado comprar o lanche que, mais tarde, levaria pra escola, porém, se não fosse minha atenção não estaria como estou agora, ORGULHOSO DE SER NORDESTINO, VENDO A ALEGRIA E SIMPLICIDADE DO MEU POVO e ansioso para a próxima feira, pra ver tudo isso de novo, porém, a alegria e os sorrisos de lá me movem. Tchau, e até segunda-feira...

JOÃO MARCELO DE ALENCAR GOMES,aluno do 9º ano do Colégio Efetivo,
Brasileiro por hobby, Nordestino com orgulho
e Umarizalense com amor.

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